Iríamos para a balada, lindas, sensuais e a pé. Sim, a pé! (Essa vida de viver sem carteira e sem carro não está dando mais!) Mas só fomos andando porque a boate era aqui pertinho de casa, realmente o táxi iria rolar só na hora de voltar.
Enquanto andávamos, Alice começou a me contar umas coisas.
- Liz, eu estou meio chateada com o Tigrão. - Ela falou
- Por que? - Estanhei, os dois são um casal tão gracinha.
- Ah, hoje chamei ele para sair com a gente, e quando é para ir em boate ele não vai. Eu até entendo, porque ele não gosta e tal, mas eu sinto falta. Aí eu chamei ele para vir hoje, e além de irmos para a boate, ele falou que estava cansado e ia para casa.
Não disse nada e fiquei pensando. Aquela não era a primeira vez que Alice reclamava que Tigrão não ia com ela em alguns lugares que ela gostava. Ele sempre saia com a gente, mas para barzinho, festas em casa de amigos e às vezes até ia em algumas boates. Mas mesmo quando ele não ia, ela não deixava de sair com a gente, assim com ele também saia sozinho com os amigos dele.
- Gente, quero conhecer essa tal boate que vocês falam tanto. Então chega de papo ruim, e vamos beber e ser feliz! - Anelise falou.
- E isso aí Ane! - Alice concordou.
Entramos na boate, estava lotada de gente. E fomos em direção ao bar, pedi meu martini, Alice sua eterna caipirinha e Ane, sua cerveja de sempre.
- Alice, olha aquele menino ali. Parece com o Marcelo, amigo do Tigrão. - Falei.
- Nossa Liz, nada a ver. - Ela me respondeu.
- Ah é sim, e ele é gatinho.
- Vai lá então, faz com que ele te veja.
- Vamos beber lá perto então. - Respondi com aquele olhar.
Ficamos conversando um tempo ali perto, e nada do cara olhar. Ele estava sentado em uma mesa com os amigos bebendo cerveja e conversando e mais nada. Já tinha até me esquecido do menino quando chegou um conhecido da Alice e nos comprimentou. Ele era amigo de alguns amigos nossos. E começou a conversar com ela.
- Liz, eu estou achando que esse cara é gay. - Ane falou.
- Que cara? Esse que está conversando com a Alice?
- Não, o que você achou bonito.
- Ah, normal. Até já tinha me esquecido dele.
- Ele está ali sentado com um monte de amigos, não olha para mulher nenhuma. E você com esse vestido lindo. Decotado nas costas.
- Eu pego ele gay. Hahahaha. Mas isso seria Carol demais. Vamos no bar.
Fomos no bar, e Alice e Ane resolveram pedir tequila, o tal amigo da Alice foi junto e pediu também. Nisso o barman virou para mim e perguntou:
- E você, não vai tomar tequila?
- Não, sou fraca para isso.
- O que você toma então?
- Martini.
- Espera ai então.
E logo ele voltou com uma dose e me entregou. Assim do nada. Agradeci ele e ele ainda pegou um canudinho e fez um anel de compromisso e colocou no meu dedo. Anelise começou a rir, aproveitou a situação e falou:
- Aproveita e pede o DJ um funk aí.
- Pode deixar. - O barman respondeu.
- Mas mulher consegue mesmo tudo o quer né? - Um cara que estava do meu lado e viu toda a cena veio brincando e conversando comigo.
- Nem sempre. Só quando estamos maquiadas e de salto alto. - Respondi.
- Prazer, Talles.
- Prazer, Liz. Essas são minhas amigas, Alice e Anelise.
Ficamos por ali dançando e conversando. Até que apareceu um cara e perguntou alguma coisa para a Alice.
- Ane, esse cara é amigo daquele que eu tinha achado bonito. - Falei.
- Sério? - Ela respondeu.
- É.
E ai ela puxou a Alice e falou alguma coisa, e a Alice riu e começou a conversar com o tal menino.
- O que você falou? - Perguntei para Ane.
- Falei para a Alice que ele era amigo do cara e falei para ela convidar eles para vir para cá. - Ane falou
De repente o carinha que eu estava de olho, no começo da festa chegou e começou a conversar comigo e com a Ane.
-Prazer, Saulo.
-Anelise, e essa é a Liz.
Ficamos conversando um pouco até que a Ane me deixou sozinha com ele, nisso o amigo da Alice me puxou do nada e falou que queria conversar comigo. Disse que estava conversando com o Saulo, e ele começou a me puxar e a falar algumas coisas sem nexos.
- Adorei te conhecer. Você é muito legal, bonita. Eu conheci a Alice por causa de um sítio que fomos...
- Aham. - Respondi e quando olhei o cara que eu realmente estava interessada, estava saindo. - Eu vou ali conversar com ele. - Falei de maneira curta e grossa para ver se o garoto entendia.
- Depois quero conversa com você. - Ele respondeu (E pelo visto, não!)
- Vamos sair daqui - Falei para Anelise e para o Saulo.
- Vamos, Alice vem. E dá o perdido nesse amigo seu. - Ane falou sem deixar que ninguém mais ouvisse.
- Obrigada Ane. Te devo uma.
- Quem era aquele Liz? - Saulo me perguntou.
- Um amigo da Alice que conheci hoje. Não sei direito. - Falei.
- Vamos ali comigo então. - Ele falou.
Sai com ele, conversamos mais e perdi a noção do tempo. Ficamos muito tempo em algum lugar naquela boate que nem sabia mais onde estava.
- Acho que preciso procurar minhas amigas. - Falei
- Você volta aqui? - Ele me perguntou
- Volto.
- Me passa seu telefone.
E sai para procurar minhas amigas, encontrei com o Talles e perguntei se ele tinha visto elas. Até que elas acabaram me encontrando.
- Liz, eu estou puta de raiva. - Alice disse.
- Porque? - Falei
- Uma amiga minha e do tigrão chegou aqui e me perguntou se havíamos terminado. Porque ele está em um barzinho aqui do lado bebendo todas com os amigos dele. Isso porque ele me disse que ele não vinha com a gente porque ia para a casa dormir. Eu vou para casa. Que raiva.
- Calma Alice. Vamos lá pagar então.
Enquanto estávamos na fila para pagar o Saulo chegou com amigo dele.
- Você vai embora?
- Vou, minha amiga brigou com o namorado dela. Ela está meio chateada.
- Não vai não.
- É Alice, vamos ficar mais. A gente bebe uma pinga e você esquece. - Ane falou
Ela olhou para mim sem saber o que fazer.
- Você quem sabe, se quiser ir vamos. - Respondi.
- Vou ficar. Alice disse.
- Então vou roubar a amiga de vocês de novo. - Saulo falou.
Fiquei até o final da noite com ele, quando a Ane veio me chamar porque a Alice estava chorando no banheiro, e conversando com um amigo do Tigrão. Quando cheguei para ver o que estava acontecendo, ela estava meio bêbada, e com muita raiva e não queria conversar com ele. Pedi para que ela passasse o telefone para mim, mas não adiantou nada. Ela desligou e falou que ia embora. E saiu da boate sem nem esperar que eu e a Ane pagasse para ir com ela. Fiquei louca de preocupação. E quando fui pagar o amigo do Tigrão estava na fila também.
- O que você está fazendo aqui? - Perguntei.
- Viemos atrás da Alice. - Ele respondeu.
- Ela foi embora sozinha. Bêbada.
Sai atrás dela com a Ane, tentando ligar no celular dela e nada dela atender. Ligava no do Tigrão para avisar que ela tinha saído sozinha e nada dele atender. Até que chegamos perto de um ponto de táxi ali perto e os dois estavam sentados conversando. Fiquei muito brava.
- Dá próxima vez que você quiser sair sozinha bêbada por ai, pelo menos atende esse celular para eu ver que você está bem e acompanhada! E avisa que não precisa sair da balada por sua causa.
E fui embora com a Ane, já tinha perdido a festa e nem tinha me despedido do meu Saulo mesmo. Íamos para casa.